domingo, 9 de março de 2014

Filme do mês de março


Realização : Woody Allen

Ator / Atriz

Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins;

Género: Drama

Classificação: M/12

Outros dados: USA, 2013, Cores, 98 min.

Casada com um multimilionário nova-iorquino, Jasmine Francis sempre se habituou aos maiores luxos que a vida lhe poderia proporcionar. Porém, quando o marido se apaixona por outra mulher e lhe pede o divórcio, tudo aquilo em que ela sempre acreditou perde sentido. Agora, sem dinheiro e sem nenhum outro lugar para onde ir, muda-se para São Francisco e vai viver para o modesto apartamento de Ginger, a irmã, com quem sempre manteve uma relação distante. É assim que, deprimida e totalmente desenquadrada, Jasmine vai tentando recompor a sua vida, passo a passo. E, ao mesmo tempo que reformula a sua relação com Ginger, vai-se esforçando por encontrar um novo sentido para a sua vida e fazer daquele lugar o seu novo lar.
 
 

Ações de Formação



A BE enfeitou-se para o Carnaval







quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Livro do mês de fevereiro


Duarte e Vasco são ambos advogados e amigos, descendentes de famílias tradicionais portuguesas. Duarte tem tudo para ser um homem de sucesso: uma carreira invejável, uma mulher bonita e muito dinheiro. O seu casamento com Sara personifica a paixão arrebatadora e insaciável. Vasco é um homem simples e só exerce advocacia para poder ajudar quem precisa. É casado com Leonor, uma mulher normal de classe média, e sente por ela um verdadeiro amor, a ponto de ter enfrentado os preconceitos da família para ficarem juntos.

Assista a este verdadeiro jogo de sentimentos.
 
 
 
 


Manuel Arouca nasce em Porto Amélia, Moçambique, a 3 de Janeiro de 1955. Marcado pela sua
infância em África, tem uma adolescência rebelde, o que o faz viajar mais tarde pela Europa e Estados Unidos. Entra na Faculdade de Direito com vinte e cinco anos e é nesse período que escreve Filhos da Costa do Sol, o seu primeiro romance, considerado um dos mais importantes best-sellers dos anos oitenta, e Ricos, Bonitos e Loucos. Desiste da advocacia e dedica-se inteiramente à escrita. Foi autor de argumentos de novelas, nomeadamente Jardins Proibidos, A Jóia de África, Baía de Mulheres, entre outras. Interrompeu, em 2004, a sua atividade como guionista para se dedicar exclusivamente à escrita de Deixei o meu coração em África.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Poema do mês de fevereiro


Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.


Que ideia tenho eu das cousas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do Mundo?

 
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. É correr as cortinas

Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

 
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!

O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,

Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,

E já não pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.

A luz do sol não sabe o que faz

E por isso não erra e é comum e boa.


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?

A de serem verdes e copadas e de terem ramos

E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,

A nós, que não sabemos dar por elas.

Mas que melhor metafísica que a delas,

Que é a de não saber para que vivem

Nem saber que o não sabem?


"Constituição íntima das cousas"...

"Sentido íntimo do Universo"...

Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.

É incrível que se possa pensar em cousas dessas.

É como pensar em razões e fins

Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores

Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.


Pensar no sentido íntimo das cousas

É acrescentado, como pensar na saúde

Ou levar um copo à água das fontes.


O único sentido íntimo das cousas

É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu acreditasse nele,

Sem dúvida que viria falar comigo

E entraria pela minha porta dentro

Dizendo-me, Aqui estou!

 
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos

De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,

Não compreende quem fala delas

Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)


Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.


Mas se Deus é as árvores e as flores

E os montes e o luar e o sol,

Para que lhe chamo eu Deus?

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;

Porque, se ele se fez, para eu o ver,

Sol e luar e flores e árvores e montes,

Se ele me aparece como sendo árvores e montes

E luar e sol e flores,

É que ele quer que eu o conheça

Como árvores e montes e flores e luar e sol.


E por isso eu obedeço-lhe,

(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).

Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,

Como quem abre os olhos e vê,

E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,

E amo-o sem pensar nele,

E penso-o vendo e ouvindo,

E ando com ele a toda a hora.

 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema V"

Semana da Leitura 2014


Entre 17 e 21 de março de 2014, realiza-se a 8ª edição da Semana da Leitura, centrada no tema Língua Portuguesa, que celebra os 800 anos do conhecimento dos seus textos mais antigos.
Nesta semana, sugere-se às escolas que participem no Concurso Ler é uma Festa! e cruzem as iniciativas ligadas à escrita, à leitura e à fala em língua Portuguesa com outros projetos,  mobilizando diversos saberes na abordagem de temáticas transversais: Ciência, Comunicação, Arte, Cultura, Globalização, Saúde...
Neste sentido, convidam-se as escolas, ao longo do mês de março, a aliarem a Semana da Leitura ao Programa SOBE e às comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral, bem como a outras efemérides: Dia Mundial do Teatro, Dia Mundial da Poesia, ...
Junta-te à festa. Festeja a leitura e a língua Portuguesa!
 

Filme do mês de fevereiro


Golpada Americana

Realização: David O. Russell

Ator / Atriz: Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner e Jennifer Lawrence. Estreado em Portugal  a 16 de janeiro de 2013.

Género: Comédia dramática/Policial

Classificação: M/12

Outros dados: USA, 2013, Cores, 99 min.

Sinopse: Situado no fascinante mundo de um dos escândalos mais impressionantes que abalou os EUA, Golpada Americana é uma ficção sobre a história do brilhante vigarista Irving Rosenfeld, que em conjunto com a igualmente astuta e sedutora Sydney Prosser, se vê  forçado a trabalhar para Richie DiMaso, um alucinado agente do FBI. DiMaso empurra-os para o mundo vigarista e mafioso de Jersey que tem tanto de perigoso quanto de aliciante. Carmine Polito é um apaixonado e volátil político de Jersey que acaba envolvido nesse universo de polícias e vigaristas. E Rosalyn, a imprevisível mulher de Irving, poderá ser aquela a puxar o fio que fará todo este mundo desabar.
Nomeado para 10 Óscares , incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator: Christian  Bale; Melhor Atriz: Amy Adams, Melhor Atriz Secundária: Jennifer Lawrence e Melhor Ator Secundário:  Bradley Cooper).
Em exibição em Seia, no Cine Teatro da Casa da Cultura, dias 28 de fevereiro, 1 e 2 de março.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Concurso “25 de abril: o futuro da democracia em Portugal e na Europa”

  REGULAMENTO
 
A Rádio e Televisão de Portugal, S.A. (RTP) associa-se às comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. Atentas as especiais obrigações que decorrem da sua natureza de concessionária do serviço público de rádio e televisão, entendeu a RTP que, para além das inúmeras iniciativas que decorrerão nos seus espaços de emissão, deveria promover junto da camada mais jovem da população, como são os alunos do ensino secundário e das universidades e politécnicos, uma reflexão quanto ao significado desta data e, em concreto, quanto ao futuro da democracia em Portugal e na Europa. Avaliar essa reflexão, premiando-a, é o objetivo deste concurso.
 
1. A RTP/Antena 1, com o apoio da Universidade de Lisboa, da Universidade do Porto, da Universidade de Coimbra e do Conselho Nacional de Educação, irá atribuir o Prémio “25 de Abril: O Futuro da Democracia em Portugal e na Europa”, adiante apenas designado por Prémio destinado a distinguir Ensaios inéditos sobre o tema que dá nome ao Prémio.
 
2. Poderão participar jovens, dos 14 aos 26 anos, que frequentem o ensino secundário e superior (universitário e politécnico) em Portugal continental e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
 
3. A participação poderá ser feita em grupo, desde que esse grupo designe um representante que beneficiará do prémio.
 
4. Os Ensaios concorrentes deverão ser apresentados em Língua Portuguesa, com o máximo de 25 páginas, em folhas A4, datilografados a dois espaços e entregues ou remetidos para a sede da RTP, sita na Avenida Marechal Gomes da Costa, n.º 37, 1849-030 Lisboa, com a menção "Prémio 25 de Abril: O Futuro da Democracia em Portugal e na Europa ou através do endereço eletrónico www.rtp.pt/ofuturodademocracia.
 
5. Juntamente com os Ensaios, o(s) participante(s) deve estar devidamente identificado, indicando nome completo, idade, estabelecimento de ensino que frequenta, bem como morada, endereço eletrónico e número de telefone para contacto.
 
6. A seleção dos Ensaios será efetuada, numa primeira fase, por um júri composto por representantes das instituições apoiantes (Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade de Coimbra, Conselho Nacional da Educação e Antena1/RTP) que seleciona 8 trabalhos (4 das universidades/politécnicos e 4 do ensino secundário) que posteriormente serão submetidos à apreciação de um grupo de quatro individualidades de reconhecido prestígio na sociedade portuguesa.
 
7. Na segunda fase, o júri composto por quatro individualidades de reconhecido prestígio na sociedade portuguesa, referido no número anterior, irá proceder à seleção dos 4 trabalhos finais (2 das universidades/politécnicos e 2 do ensino secundário).
 
8. Cada um dos Ensaios será apresentado pelo respetivo vencedor ou, no caso de o vencedor ser um grupo, pelo aluno que foi indicado como representante do grupo, e por uma das personalidades que integram a segunda fase do júri, em diferentes universidades do país, na semana que antecede a comemoração dos 40 anos do 25 de Abril.
 
9. Os 4 jovens vencedores irão deslocar-se a Bruxelas e aí assistir às atividades do Parlamento Europeu e conhecer os novos eurodeputados. No decurso da visita de 3 dias a Bruxelas, a realizar no final do ano de 2014, após a tomada de posse do novo Parlamento, a RTP, através do seus serviços de programas Antena 1 e RTP 1 irão realizar 5 reportagens a transmitir posteriormente. As deslocações dos vencedores incluem as viagens e estadia durante visita.
 
10. Os Ensaios terão de ser enviados até ao dia 16 de março, nos termos e condições definidos no número 4,decorrendo as avaliações dos dois júris entre os dias 24 de março e 7 de abril, sendo os vencedores anunciados nessa data ou nos dias imediatos.
 
11. Caso a RTP não consiga contactar algum dos vencedores através dos contactos indicados, esse vencedor perderá o direito ao prémio, podendo o prémio ser atribuído a outro participante.
 
12. Os nomes dos vencedores poderão ser anunciados publicamente pela RTP através dos meios de divulgação que entenda por necessários.
 
 
1. A RTP e os parceiros envolvidos – Universidade de Lisboa, Universidade do Porto e Conselho das Escolas – determinarão o critério a aplicar em qualquer situação não prevista expressamente no presente Regulamento, sendo as únicas autoridades interpretativas do mesmo, reservando-se o direito de efetuar qualquer modificação na realização deste Prémio, passando as novas a vigorar no ato da respetiva divulgação e prolongá-lo ou suspendê-lo sem qualquer aviso prévio.
 
2. Para a resolução de qualquer litígio emergente da execução, inexecução, incumprimento, interpretação ou integração do presente regulamento ou resultante da execução deste passatempo, que não seja resolvido por mútuo acordo entre as partes, estas elegem como competente o foro da Comarca de Lisboa, com expressa renúncia de qualquer outro.
 
3. A participação neste Prémio implica a concordância com a totalidade deste regulamento.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Concurso de Banda Desenhada



LER A SORRIR

Concurso de Banda Desenhada

O Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direcção-Geral da Saúde, a Ordem dos Médicos Dentistas e a NCreatures, organizam um concurso de banda desenhada, de acordo com o Regulamento seguinte:
REGULAMENTO
1. Podem participar neste Concurso todos os alunos do 3º Ciclo e do Ensino Secundário do universo escolar português, território continental e insular.
2. O prazo para participar será de 12 de Fevereiro a 18 de Março de 2014.
3. Cada aluno pode participar apenas com um trabalho - não estão previstas participações coletivas.
4. Serão considerados 3 vencedores em cada nível de ensino (3º Ciclo e Ensino Secundário) correspondentes a 1º | 2º | 3º lugares em cada um deles, respectivamente.

5. A participação será considerada válida mediante a entrega de um trabalho de banda desenhada com o tema LER A SORRIR que se refere à relação estreita entre a LEITURA e a SAÚDE ORAL, fundamento do Projecto SOBE – Saúde Oral, Bibliotecas Escolares.
 
 
6. Este trabalho deve ser apresentado ao Plano Nacional de Leitura, via digital, através dos endereços de e-mail: manuel.goncalves@planonacionaldeleitura.gov.pt | virginia.santos@planonacionaldeleitura.gov.pt
7. Do email a enviar devem constar as seguintes informações:
  • nome do concorrente | contacto telefónico e de e-mail
  • nome do encarregado de educação ou responsável legal | contacto telefónico e e-mail do encarregado de educação ou responsável legal
  • resumo da história

  • o trabalho a concurso, em anexo, constituído por 1 a 5 páginas de banda desenhada, independentemente do estilo de desenho da mesma.
 
 
  • declaração de responsabilidade, necessária para concorrentes menores, que deve ser anexada ao email
8. Um júri formado por representantes seleccionados pelo Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direcção-Geral da Saúde, a Ordem dos Médicos Dentistas e a NCreatures, fará a seleção dos três Vencedores, de cada nível de ensino aos quais corresponderá um prémio a definir posteriormente.
 
9. O júri assim constituído reserva-se o direito de não atribuição de algum dos prémios.
10. As decisões do Júri não são passíveis de recurso.
11. A organização entrará em contato por via telefónica com os Vencedores ou com um dos seus pais ou representantes legais, no caso de este ser menor de idade, para os informar da sua condição de Vencedores e para dar todos os detalhes relativos à entrega do prémio.
10. Os organizadores do Concurso reservam-se o direito de, por motivos de força maior, cancelar o Passatempo e/ou modificar este Regulamento.
11. A participação no Passatempo implica a aceitação integral do presente Regulamento.
12. Os Vencedores, os seus pais ou representantes legais, no caso de este ser menor de idade, dão, mediante a aceitação deste Regulamento, o seu consentimento para que o Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direcção-Geral da Saúde, a Ordem dos Médicos Dentistas e a NCreatures possam utilizar o seu nome em ações que estejam relacionadas com o Passatempo, com a sua promoção e/ou publicidade em qualquer meio.


A BE e o dia de S. Valentim

 

 
 
Participação dos alunos:
 
"Repara no meu olhar
Quando vejo o teu sorriso
Quero ser a razão dele
Assumir um compromisso"
 
                                                         MFNF
 
"Virou tudo, girou tudo
O Mundo estava ao contrário
Mas quando vi o teu olhar
Tornou-se tudo como um
Mundo imaginário!
Inocência reconhecida
No teu rosto marcado
A vida segue em frente
... mas quero-te."
 
Apaixonado >3
Lest Beat


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dia de S. Valentim

 
 
Se me esqueceres
 
Quero que saibas
uma coisa.
 
Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.
 
Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.
Se de súbito

me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.
 
Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.
 
Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"

O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro
 como impura é a luz e a água
 e tudo quanto nasce
 e vive além do tempo.

 Minhas pernas são água,
 as tuas são luz
 e dão a volta ao universo
 quando se enlaçam
 até se tornarem deserto e escuro.
 E eu sofro de te abraçar
 depois de te abraçar para não sofrer.

 E toco-te
 para deixares de ter corpo
 e o meu corpo nasce
 quando se extingue no teu.

 E respiro em ti
 para me sufocar
 e espreito em tua claridade
 para me cegar,
 meu Sol vertido em Lua,
 minha noite alvorecida.

 Tu me bebes
 e eu me converto na tua sede.
 Meus lábios mordem,
 meus dentes beijam,
 minha pele te veste
 e ficas ainda mais despida.

 Pudesse eu ser tu
 E em tua saudade ser a minha própria espera.

 Mas eu deito-me em teu leito
 Quando apenas queria dormir em ti.

 E sonho-te
 Quando ansiava ser um sonho teu.

 E levito, voo de semente,
 para em mim mesmo te plantar
 menos que flor: simples perfume,
 lembrança de pétala sem chão onde tombar.

 Teus olhos inundando os meus
 e a minha vida, já sem leito,
 vai galgando margens
 até tudo ser mar.
 Esse mar que só há depois do mar.

Mia Couto, in "idades cidades divindades"
 

Agora que Sinto Amor

Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Filme do mês de janeiro


12 Anos Escravo

Título original:

"12 Years as a Slave"

Realizador: Steve Mcqueen

Atores: Chiwetel Ejiofor, Michael K. Williams, Michael Fassbender

Argumento de John Ridley baseado na obra de  Solomon Northup "Twelve Years as a Slave"

Género:  Drama/Ação Classificação:  M/12

Outros dados: USA, 2013, Cores, 134 min.

 

Dirigido por Steve McQueen (não confundir com o saudoso e fabuloso ator, de “Bullit” prematuramente falecido em 1980) este filme recebeu, ontem, 9 nomeações para os Óscares de 2014, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realizador.

Com este filme dramático McQueen procura aprofundar a história da escravatura nos EUA e a abordá-la segundo uma perspetiva mais realista, a partir de factos verídicos.

Tem como base as memórias do próprio Solomon Northup, que foi raptado e vendido como escravo em meados do século XIX.

 Classificado com 8.5 numa escala de 0 a 10, no IMDB.
 

Em Seia no Cine Teatro da  Casa da Cultura, nos próximos dias 24, 25 e 26 de janeiro.

 
 


Poema do mês de janeiro


Milagrário Pessoal

Dentro de ti ouço passar
o queixume dum quissange

uma guitarra que tange
uma cuica que ri


Escuto o alegre pulsar
de Lisboa, Rio, Luanda
o murmúrio da Kianda
o cantar do bem-te-vi

Dentro de ti vejo brilhar
palavras, como um tesouro
vaga-lume, ardor, besouro
ouço-as em seu fulgor

Auriflama, morança, vagar
palavras como um brinquedo
brucutu, malícia, folguedo
estropício, fagueiro, lavor

Dentro de ti ouço passar
o pregão da quitandeira
a reza da benzedeira
o golo do relator

Escuto o alegre pulsar
d'Alfama, Leblon, Marçal
os tambores de carnaval
o cantar do meu amor


José Eduardo Agualusa

Livro do mês de janeiro


Ao morrer, Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou sete viúvas e dezoito filhos. A filha mais nova, Laurentina, realizadora de cinema, tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico.

Em As Mulheres do Meu Pai, realidade e ficção entretecem-se, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a ficção participa da realidade. As quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe. Cruzam as areias da Namíbia e as suas povoações-fantasma, alcançando finalmente a Cidade do Cabo, na África do Sul.

Continuam depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais, e dali até à ilha de Moçambique. Percorrem nesta viagem “malhas que o Império tece”, paisagens que fazem fronteira com o sonho, e das quais emergem as mais estranhas personagens.

As Mulheres do Meu Pai é um romance sobre mulheres, música e magia. Nestas páginas anuncia-se o renascimento de África, continente afetado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos.
 
 
José Eduardo Agualusa nasceu a 13 de Dezembro de 1960 em Huambo, Angola. Estudou Silvicultura
e Agronomia em Lisboa. Publicou o seu primeiro livro em 1989 e desde então a sua escrita tem sido muito profícua: A Conjura  (romance,1989); D. Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosímeis (contos, 1990); O coração dos Bosques (poesia, 1991); A feira dos assombrados (novela,1992); Nação Crioula (romance,1997); Fronteiras Perdidas, contos para viajar (contos, 1999); Um Estranho em Goa (romance, 2000); Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000); A Substância do Amor e Outras Crónicas (crónicas, 2000); O Homem que Parecia um Domingo (contos, 2002); Catálogo de Sombras (contos, 2003); O Vendedor de Passados (romance, 2004); Manual Prático de Levitação (contos,2005); A girafa que comia estrelas (novela,2005); Milagrário Pessoal (romance, 2010) e Teoria geral do Esquecimento (romance, 2012). Os seus livros estão traduzidos em 25 idiomas. Recebeu vários prémios e sobre a escrita afirma o autor: “Escrever me diverte, e escrevo também, porque quero saber como termina o poema, o conto ou o romance. E ainda porque a escrita transforma o mundo. Ninguém acredita nisto e no entanto é verdade."

 
 
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Poema do mês de dezembro


Invictus

(0 poema que inspirou Mandela)

Do fundo desta noite que persiste 
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa; 
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

 

Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Livro do mês de dezembro


Esta tragédia shakespeariana não é significativa apenas por enfocar o amor proibido entre dois jovens na Verona renascentista, mas também por denunciar a hipocrisia e as convenções sociais, os interesses económicos e a sede de poder, elementos que engendram inevitavelmente a intolerância e condenam o sentimento nobre que brota dos corações de Romeu e Julieta.

Em Verona, Itália, por volta de 1600, a rivalidade entre os Montecchios e os Capuletos acentua-se e os conflitos estendem-se a parentes e criados, apesar do apelo do príncipe pela paz. Num baile de máscaras na casa dos Capuletos, Romeu Montecchio conhece Julieta Capuleto. A paixão é mútua e instantânea. Ao descobrir que pertencem a famílias inimigas, os dois desesperam. Resolvem casar-se secretamente, com a cumplicidade de frei Lourenço.

No entanto, o destino desse amor seria trágico, dado que a peça termina com a morte dos dois jovens, cujas famílias se reconciliam definitivamente após tal tragédia.
 
 
William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês, nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616, na sua terra natal, onde se encontra sepultado. O seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem-sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. Surge na cena Londrina cerca de 1592 e no inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara. Além de uma coleção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Shakespeare é considerado o mais influente dramaturgo a nível mundial