quinta-feira, 24 de abril de 2014
Poema do mês de abril
E Depois do Adeus
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
José Nisa
Nota: Esta canção serviu de senha de início da revolução de
25 de Abril de 1974
Livro do mês de abril
Retrato a sépia é um romance histórico, cuja ação decorre no
Chile, em finais de século XIX. Trata-se de uma saga familiar, onde
reencontramos algumas das personagens de
A casa dos espíritos e Filha da fortuna, romances, que se constituíram como
pilares na construção da vastíssima obra de Isabel Allende.
A personagem principal, Aurora del Valle, sofre um trauma brutal que determina o seu carácter e apaga da sua mente os primeiros cinco anos de vida. Criada pela sua ambiciosa avó, Paulina del Valle, Aurora cresce num ambiente privilegiado, livre das limitações que oprimem as mulheres da sua época, mas atormentada por pesadelos horríveis. Quando se vê na iminência de enfrentar a traição do homem que ama, bem como a solidão, Aurora decide explorar o seu passado, envolto em mistérios.
Em o Retrato a sépia, Isabel Allende eleva a narrativa ao auge da perfeição literária e, simultaneamente, confere-lhe uma dimensão humana extraordinária.
A personagem principal, Aurora del Valle, sofre um trauma brutal que determina o seu carácter e apaga da sua mente os primeiros cinco anos de vida. Criada pela sua ambiciosa avó, Paulina del Valle, Aurora cresce num ambiente privilegiado, livre das limitações que oprimem as mulheres da sua época, mas atormentada por pesadelos horríveis. Quando se vê na iminência de enfrentar a traição do homem que ama, bem como a solidão, Aurora decide explorar o seu passado, envolto em mistérios.
Em o Retrato a sépia, Isabel Allende eleva a narrativa ao auge da perfeição literária e, simultaneamente, confere-lhe uma dimensão humana extraordinária.
Isabel Allende nasceu em 1942, no Peru. Viveu no Chile entre
1945 e 1975, com largos períodos de
residência noutros locais, nomeadamente na Venezuela até 1988. Desde então reside nos Estados Unidos da América, Califórnia.
residência noutros locais, nomeadamente na Venezuela até 1988. Desde então reside nos Estados Unidos da América, Califórnia.
Em 1982, o seu primeiro romance, A casa dos espíritos, converteu-se num dos títulos míticos
da literatura latino-americana, e adaptado ao cinema, tornou-se um êxito de
bilheteira.
Seguiram-se muitos outros, todos êxitos internacionais. A sua
obra está traduzida em trinta e cinco línguas. Foi galardoada com o Prémio
Nacional de Literatura do Chile.
terça-feira, 8 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Filme do mês de abril
Titulo
Original: August: Osage County
•
Realização: John Wells
• Ano: 2013
•
Distribuidora: Zon Audiovisuais
• País: EUA
• Data
Estreia: 27.02.2014
•
Intérpretes: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Coper, Ewan McGregor, Margo
Martindale, Sam Shepard, Dermot Mulroney
• Género:
Drama
- Duração: 130 mts
Baseado na peça homónima de Tracy
Letts, vencedor de um Prémio Pulitzer - August: Osage County conta-nos a negra,
hilariante e comovente história dos
Weston, uma família disfuncional que se reúne devido ao estranho desaparecimento
de Beverly Weston, o patriarca. À medida que os dias passam e eles são forçados
a uma convivência imposta pelas circunstâncias, tudo vem ao de cima: as crises,
os ciúmes, os ressentimentos e as fragilidades de cada um. Porém, no meio de
tantos sentimentos, haverá espaço para reencontrar o amor que, apesar de tudo,
ainda teima em uni-los a todos….
Nomeado para Óscar de Melhor Atriz ( Meryl Streep)
Em exibição em Seia,
no Cine Teatro da Casa da Cultura, Dias 11, 12 e 13 de abril - 21:30H
domingo, 23 de março de 2014
Oficina de escrita criativa
Preciosas memórias
Penso em ti com saudade
e entre os nossos beijos
não penso no teu ser,
mas sim no teu olhar.
Percorro a estrada atá à exaustão?
O mundo que construí por mim mesmo
como que reflete o seu agrado
e observo profundamente
os segredos do seu corpo.
O vazio imenso das suas costas
abraça a lembrança da qual irei guardar o brilho
que cavalga desafiante como tu.
Na luta de te conquistar?
De encontro ao homem, o sonho
humano torna-se um carvão
e do rio para o mar, os sentimentos
de almas irreais saem das grutas.
10º F
Poema do mês de março
A um
livro
No
silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se
uma sombra de cipreste,
Sombra
roubada ao livro que ando a ler,
A
esse livro de mágoas que me deste.
Estranho
livro aquele que escreveste,
Artista
da saudade e do sofrer!
Estranho
livro aquele em que puseste
Tudo
o que eu sinto, sem poder dizer!
Leio-o
e folheio, assim, toda a minha’alma
O
livro que me deste é meu, e salma
As
orações que choro e rio e canto!...
Poeta
igual a mim, ai quem me dera
Dizer
o que tu dizes!... Quem soubera
Velar
a minha Dor desse teu manto!...
Florbela
Espanca
Livro do mês de março
“A obra de Florbela é a expressão
poética de um caso humano. Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas
glória do seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela vive a fundo esses
estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma,
quer der dispersão em tudo, que na sua poesia atingem tão vibrante expressão.
"Mulheres com talento vocabular e
métrico para talharem um soneto como quem talha um vestido; ou bordarem imagens
como quem borda a missanga; ou (o que é ainda menos agradável) se dilatarem em
ondas de verbalismo como quem se espreguiça por nada ter que fazer, que
dizer-naturalmente as houve, e há, antes e depois da vida de Florbela. (…)
Também decerto, apareceram na nossa poesia autênticas poetisas, antes e depois
de Florbela. Nenhuma, porém, até hoje, viveu tão a sério um caso tão
excepcional e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano. Jorge de Sena
dirá tão expressivamente feminino.” (José Régio)
Florbela
Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894, sendo batizada, com o
nome de
Flor Bela Lobo, a 20 de Junho do ano seguinte, como filha de Antónia da Conceição Lobo e de pai incógnito. É em Vila Viçosa que se desenrola a sua infância. Em Outubro de 1899, Florbela começa a frequentar o ensino pré-primário, passando a assinar Flor d'Alma da Conceição Espanca (algumas vezes, opta por Flor, e outras, por Bela). Em Novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte», mostrando uma admirável precocidade e anunciando, desde já, a opção por temas que, mais tarde, virá a abordar de forma mais complexa. Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto.
Flor Bela Lobo, a 20 de Junho do ano seguinte, como filha de Antónia da Conceição Lobo e de pai incógnito. É em Vila Viçosa que se desenrola a sua infância. Em Outubro de 1899, Florbela começa a frequentar o ensino pré-primário, passando a assinar Flor d'Alma da Conceição Espanca (algumas vezes, opta por Flor, e outras, por Bela). Em Novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte», mostrando uma admirável precocidade e anunciando, desde já, a opção por temas que, mais tarde, virá a abordar de forma mais complexa. Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto.
Conclui
a instrução primária em Junho de 1906, entrando para o atual sexto ano de
escolaridade em Outubro do mesmo ano. No ano seguinte, Florbela aponta os
primeiros sinais da sua doença, a neurastenia; além disso, escreve o seu
primeiro conto, «Mamã!». Em 1908, Antónia Lobo, a mãe de Florbela, morre vítima
de neurose, após o que a família se desloca para Évora, para Florbela
prosseguir os seus estudos no Liceu André Gouveia, com o chamado Curso Geral do
Liceu, cuja sexta classe (próxima do 10º ano atual) completa em 1912.
Entretanto, em 1911, começa a namorar com Alberto Moutinho, mas acaba por se
afastar deste, em virtude de uma nova paixão por José Marques, futuro diretor
da Torre do Tombo. Após romper com este, no ano seguinte, Florbela reata o
namoro com Alberto Moutinho e, a 8 de Dezembro, uma vez emancipada, casa com
ele, pelo civil, aos 19 anos.
Em
1914, apesar de algumas dificuldades económicas, o casal muda-se para o
Redondo, na Serra d'Ossa, onde abre um colégio e leciona. Numa festa do colégio,
Florbela recita, pela primeira vez, versos seus em público. É no ano seguinte
que Florbela inicia o seu caderno «Trocando Olhares», que completa ao longo de
cerca de um ano e meio. Em 1916, a revista «Modas e Bordados» publica o soneto
«Crisântemos», cheio de alterações ao original, e Florbela torna-se amiga da
diretora e da subdiretora da revista, Júlia Alves, com quem, aliás, inicia
correspondência. Alguns meses depois, torna-se colaboradora do jornal «Notícias
de Évora», e desiste de um projeto intitulado «Alma de Portugal», um livro de
acentuada carga patriótica, e que conteria as partes «Na Paz» e «Na Guerra».
Em
1917, após ter regressado a Évora, Florbela completa o atual 11º ano do Curso
Complementar de Letras, com catorze valores; apesar de querer seguir essa área,
acaba por se inscrever, em Outubro, na Faculdade de Direito da Universidade de
Lisboa, o que a obriga a mudar-se para Lisboa, onde começa a contactar com a
vida boémia. Na sequência de um aborto involuntário, em 1919, Florbela tem de
se mudar para Quelfes, perto de Olhão, onde apresenta os primeiros sintomas
sérios de neurose. Pouco depois, o seu casamento desfaz-se e Florbela decide ir
para Lisboa prosseguir o curso, separando-se do marido, e passando a conhecer a
rejeição da sociedade. Em Junho de 1919, depois de alguma correspondência
trocada com Raul Proença, sai a lume o «Livro de Mágoas»; posteriormente,
completa o terceiro ano de Direito. No ano seguinte, inicia «Claustro das
Quimeras»; simultaneamente, passa a viver com António Guimarães, em Matosinhos,
com quem se casa em 1921, após o primeiro divórcio.
De
volta a Lisboa, em 1923, Florbela vê publicado o «Livro de Soror Saudade», mas
tem de se mudar rapidamente para Gonça, perto de Guimarães, para se tratar de
um novo aborto. Assim, Florbela separa-se do marido, que pede o divórcio,
oficializado em 1924; isso leva a que a família de Florbela não lhe fale
durante dois anos, o que a abala muito.
Em
1925, depois de se ter mudado para a casa de Mário Lage, em Esmoriz, casa com
ele, pelo civil e, depois, pela Igreja. Dois anos depois, enquanto Florbela
traduz romances franceses para a Livraria Civilização no Porto (que publica
oito trabalhos seus), e prepara «O Dominó Preto», o seu irmão falece, o que a
torna uma mulher triste e desiludida e inspira «As Máscaras do Destino».
Enquanto a relação com o marido se desgasta progressivamente, a neurose de
Florbela agrava-se bastante; é neste período que, possivelmente, se apaixona
pelo pianista Luís Maria Cabral, a quem dedica «Chopin» e «Tarde de Música»;
talvez por isso, tenta suicidar-se. Em 1929, Florbela passa por Lisboa, onde
lhe é recusada a participação no filme «Dança dos Paroxismos», de Jorge Brum do
Canto, e segue para Évora, onde, em 1930, começa a escrever o seu «Diário do
Último Ano». Passa, então a colaborar nas revistas «Portugal Feminino» e
«Civilização», e trava conhecimento com Guido Battelli, que se oferece para
publicar «Charneca em Flor». Já em Matosinhos, Florbela revê as provas do
livro, depois da segunda tentativa de suicídio, em Outubro ou Novembro, período
em que a neurose se torna insuportável e lhe é diagnosticado um edema pulmonar.
A 8 de Dezembro, dia do nascimento e do primeiro casamento, Florbela
suicida-se, cerca das duas horas, com dois frascos de Veronal.
domingo, 9 de março de 2014
Filme do mês de março
Realização : Woody Allen
Ator / Atriz
Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins;
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: USA, 2013, Cores, 98 min.
Casada com um
multimilionário nova-iorquino, Jasmine Francis sempre se habituou aos maiores
luxos que a vida lhe poderia proporcionar. Porém, quando o marido se apaixona
por outra mulher e lhe pede o divórcio, tudo aquilo em que ela sempre acreditou
perde sentido. Agora, sem dinheiro e sem nenhum outro lugar para onde ir,
muda-se para São Francisco e vai viver para o modesto apartamento de Ginger, a
irmã, com quem sempre manteve uma relação distante. É assim que, deprimida e
totalmente desenquadrada, Jasmine vai tentando recompor a sua vida, passo a
passo. E, ao mesmo tempo que reformula a sua relação com Ginger, vai-se
esforçando por encontrar um novo sentido para a sua vida e fazer daquele lugar
o seu novo lar.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Livro do mês de fevereiro
Duarte e Vasco são ambos advogados e amigos, descendentes de famílias
tradicionais portuguesas. Duarte tem tudo para ser um homem de sucesso: uma
carreira invejável, uma mulher bonita e muito dinheiro. O seu casamento com
Sara personifica a paixão arrebatadora e insaciável. Vasco é um homem simples e
só exerce advocacia para poder ajudar quem precisa. É casado com Leonor, uma
mulher normal de classe média, e sente por ela um verdadeiro amor, a ponto de
ter enfrentado os preconceitos da família para ficarem juntos.
Assista a este verdadeiro jogo de sentimentos.
Manuel Arouca nasce em Porto Amélia,
Moçambique, a 3 de Janeiro de 1955. Marcado pela sua
infância em África, tem uma adolescência rebelde, o que o faz viajar mais tarde pela Europa e Estados Unidos. Entra na Faculdade de Direito com vinte e cinco anos e é nesse período que escreve Filhos da Costa do Sol, o seu primeiro romance, considerado um dos mais importantes best-sellers dos anos oitenta, e Ricos, Bonitos e Loucos. Desiste da advocacia e dedica-se inteiramente à escrita. Foi autor de argumentos de novelas, nomeadamente Jardins Proibidos, A Jóia de África, Baía de Mulheres, entre outras. Interrompeu, em 2004, a sua atividade como guionista para se dedicar exclusivamente à escrita de Deixei o meu coração em África.
infância em África, tem uma adolescência rebelde, o que o faz viajar mais tarde pela Europa e Estados Unidos. Entra na Faculdade de Direito com vinte e cinco anos e é nesse período que escreve Filhos da Costa do Sol, o seu primeiro romance, considerado um dos mais importantes best-sellers dos anos oitenta, e Ricos, Bonitos e Loucos. Desiste da advocacia e dedica-se inteiramente à escrita. Foi autor de argumentos de novelas, nomeadamente Jardins Proibidos, A Jóia de África, Baía de Mulheres, entre outras. Interrompeu, em 2004, a sua atividade como guionista para se dedicar exclusivamente à escrita de Deixei o meu coração em África.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Poema do mês de fevereiro
O que penso
eu do mundo?
Sei lá o que
penso do mundo!
Se eu
adoecesse pensaria nisso.
Que ideia
tenho eu das cousas?
Que opinião
tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu
meditado sobre Deus e a alma
E sobre a
criação do Mundo?
Não sei.
Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não
pensar. É correr as cortinas
Da minha
janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério
das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único
mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao
sol e fecha os olhos,
Começa a não
saber o que é o sol
E a pensar
muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os
olhos e vê o sol,
E já não
pode pensar em nada,
Porque a luz
do sol vale mais que os pensamentos
De todos os
filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol
não sabe o que faz
E por isso
não erra e é comum e boa.
Metafísica?
Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem
verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar
fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que
não sabemos dar por elas.
Mas que
melhor metafísica que a delas,
Que é a de
não saber para que vivem
Nem saber
que o não sabem?
"Constituição
íntima das cousas"...
"Sentido
íntimo do Universo"...
Tudo isto é
falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível
que se possa pensar em cousas dessas.
É como
pensar em razões e fins
Quando o
começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro
lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no
sentido íntimo das cousas
É
acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um
copo à água das fontes.
O único
sentido íntimo das cousas
É elas não
terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito
em Deus porque nunca o vi.
Se ele
quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida
que viria falar comigo
E entraria
pela minha porta dentro
Dizendo-me,
Aqui estou!
(Isto é
talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por
não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende
quem fala delas
Com o modo
de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus
é as flores e as árvores
E os montes
e sol e o luar,
Então
acredito nele,
Então
acredito nele a toda a hora,
E a minha
vida é toda uma oração e uma missa,
E uma
comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus
é as árvores e as flores
E os montes
e o luar e o sol,
Para que lhe
chamo eu Deus?
Chamo-lhe
flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se
ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e
flores e árvores e montes,
Se ele me
aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol
e flores,
É que ele
quer que eu o conheça
Como árvores
e montes e flores e luar e sol.
E por isso
eu obedeço-lhe,
(Que mais
sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe
a viver, espontaneamente,
Como quem
abre os olhos e vê,
E chamo-lhe
luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem
pensar nele,
E penso-o
vendo e ouvindo,
E ando com
ele a toda a hora.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos -
Poema V"
Semana da Leitura 2014
Entre 17 e 21 de março de 2014, realiza-se a 8ª edição da Semana da Leitura, centrada no tema Língua Portuguesa, que celebra os 800 anos do conhecimento dos seus textos mais antigos.
Nesta semana, sugere-se às escolas que participem no Concurso Ler é uma Festa! e cruzem as iniciativas ligadas à escrita, à leitura e à fala em língua Portuguesa com outros projetos, mobilizando diversos saberes na abordagem de temáticas transversais: Ciência, Comunicação, Arte, Cultura, Globalização, Saúde...
Neste sentido, convidam-se as escolas, ao longo do mês de março, a aliarem a Semana da Leitura ao Programa SOBE e às comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral, bem como a outras efemérides: Dia Mundial do Teatro, Dia Mundial da Poesia, ...
Junta-te à festa. Festeja a leitura e a língua Portuguesa!
Filme do mês de fevereiro
Golpada Americana
Realização: David O. Russell
Ator / Atriz: Christian Bale,
Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner e Jennifer Lawrence. Estreado em
Portugal a 16 de janeiro de 2013.
Género: Comédia dramática/Policial
Classificação: M/12
Outros dados: USA, 2013, Cores, 99 min.
Sinopse: Situado
no fascinante mundo de um dos escândalos mais impressionantes que abalou os
EUA, Golpada Americana é uma ficção
sobre a história do brilhante vigarista Irving Rosenfeld, que em conjunto com a
igualmente astuta e sedutora Sydney Prosser, se vê forçado a trabalhar para Richie DiMaso, um
alucinado agente do FBI. DiMaso empurra-os para o mundo vigarista e mafioso de
Jersey que tem tanto de perigoso quanto de aliciante. Carmine Polito é um
apaixonado e volátil político de Jersey que acaba envolvido nesse universo de
polícias e vigaristas. E Rosalyn, a imprevisível mulher de Irving, poderá ser
aquela a puxar o fio que fará todo este mundo desabar.
Nomeado para 10 Óscares ,
incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator: Christian Bale; Melhor Atriz: Amy Adams, Melhor Atriz
Secundária: Jennifer Lawrence e Melhor Ator Secundário: Bradley Cooper).
Em exibição em Seia, no Cine
Teatro da Casa da Cultura, dias 28 de fevereiro, 1 e 2 de março.
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