sábado, 31 de maio de 2014

Poema do mês de maio


Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas

aves que são os segredos da vida

o que quer que cantem é melhor do que conhecer

e se os homens não as ouvem estão velhos

 

que o meu pensamento caminhe pelo faminto

e destemido e sedento e servil

e mesmo que seja domingo que eu me engane

pois sempre que os homens têm razão não são jovens

 

e que eu não faça nada de útil

e te ame muito mais do que verdadeiramente

nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse

chamar a si todo o céu com um sorriso

 

e.e.cummings, in “livrodepoemas”

Tradução de Cecília Rego Pinheiro

Livro do mês de maio



Lisboa, 1 de novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, a irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes de a missa começar, um rapaz zanga-se com a mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer.

Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tetos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino.


Domingos Freitas do Amaral é diretor da revista GQ, e cronista dos jornais Correio da Manhã e
Record. Formado em economia, e com Mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em Nova Iorque, iniciou a sua carreira jornalística n’O Independente, tendo depois sido diretor da revista Maxmen. Como cronista, escreveu para o Diário de Notícias, Grande Reportagem e Diário Económico.

Tem um blog, O Diário de Domingos Amaral, onde escreve todos os dias. É também professor na Universidade Católica, no curso de Economia e Gestão.

Publicou pela Casa das Letras: Amor à Primeira Vista, O Fanático do Sushi, Os Cavaleiros de São João Baptista, Enquanto Salazar Dormia, Verão Quente, Já Ninguém Morre de Amor, Quando Lisboa Tremeu, O retrato da mãe de Hitler e Um casamento de sonho.

sábado, 17 de maio de 2014

Novidades de maio


Filme do mês de maio


Realização: Lionel Baier

Argumento: Lionel Baier

Ator / Atriz: Francisco Belard, Michel Vuillermoz, Patrick Lapp, Valérie Donzelli

Género: Comédia

Classificação: M/12

Outros dados: Portugal/França/Suíça , 2013, Cores, 95 min.

Sinopse: Portugal, Abril de 1974. Dois jornalistas da Rádio Suíça são enviados a Portugal para fazer uma reportagem sobre a ajuda suíça ao nosso país. À equipa junta-se um técnico de som, com a sua carrinha VW pão de forma, e um jovem português contratado para servir de intérprete. Tudo lhes corre mal e quase dão a reportagem como perdida, quando são apanhados de surpresa pela Revolução dos Cravos… No sítio certo e no momento certo, eles têm a oportunidade única de captar em direto e ao vivo o espírito da revolução.

Não será, decerto, o melhor filme sobe o 25 de Abril. Mas, porque não vê-lo? Claro que, especialmente os mais novos, deverão ver ou rever “Os Capitães de Abril” de Maria Medeiros ou os documentários sobre essa data histórica antes de ir ao cinema assistir a esta comédia, com produção tripartida: Portugal, França e Suíça.

Acima de tudo: VÃO AO CINEMA!!!


AS ONDAS DE ABRIL trailer from Midas Filmes on Vimeo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Feiras das plantas


Poema do mês de abril


E Depois do Adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

José Nisa

Nota: Esta canção serviu de senha de início da revolução de 25 de Abril de 1974

Livro do mês de abril


Retrato a sépia é um romance histórico, cuja ação decorre no Chile, em finais de século XIX. Trata-se de uma saga familiar, onde reencontramos algumas das personagens de  A casa dos espíritos e Filha da fortuna romances, que se constituíram como pilares na construção da vastíssima obra de Isabel Allende.
A personagem principal, Aurora del Valle, sofre um trauma brutal que determina o seu carácter e apaga da sua mente os primeiros cinco anos de vida. Criada pela sua ambiciosa avó, Paulina del Valle, Aurora cresce num ambiente privilegiado, livre das limitações que oprimem as mulheres da sua época, mas atormentada por pesadelos horríveis. Quando se vê na iminência de enfrentar a traição do homem que ama, bem como a solidão, Aurora decide explorar o seu passado, envolto em mistérios.
Em o Retrato a sépia, Isabel Allende eleva a narrativa ao auge da perfeição literária e, simultaneamente, confere-lhe uma dimensão humana extraordinária.

 
Isabel Allende nasceu em 1942, no Peru. Viveu no Chile entre 1945 e 1975, com largos períodos de
residência noutros locais, nomeadamente na Venezuela até 1988. Desde então reside nos Estados Unidos da América, Califórnia.

Em 1982, o seu primeiro romance, A casa dos espíritos, converteu-se num dos títulos míticos da literatura latino-americana, e adaptado ao cinema, tornou-se um êxito de bilheteira.

Seguiram-se muitos outros, todos êxitos internacionais. A sua obra está traduzida em trinta e cinco línguas. Foi galardoada com o Prémio Nacional de Literatura do Chile.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Filme do mês de abril


Titulo Original: August: Osage County

• Realização: John Wells

• Ano: 2013

• Distribuidora: Zon Audiovisuais

• País: EUA

• Data Estreia: 27.02.2014

• Intérpretes: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Coper, Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard, Dermot Mulroney

• Género: Drama
  • Duração: 130 mts
Baseado na peça homónima de Tracy Letts, vencedor de um Prémio Pulitzer - August: Osage County conta-nos a negra, hilariante e comovente  história dos Weston, uma família disfuncional que se reúne devido ao estranho desaparecimento de Beverly Weston, o patriarca. À medida que os dias passam e eles são forçados a uma convivência imposta pelas circunstâncias, tudo vem ao de cima: as crises, os ciúmes, os ressentimentos e as fragilidades de cada um. Porém, no meio de tantos sentimentos, haverá espaço para reencontrar o amor que, apesar de tudo, ainda teima em uni-los a todos….

Nomeado para  Óscar de Melhor Atriz ( Meryl Streep)

Em exibição em Seia, no Cine Teatro da Casa da Cultura, Dias 11, 12 e 13 de abril - 21:30H
 

domingo, 23 de março de 2014

Oficina de escrita criativa



Preciosas memórias

Penso em ti com saudade
e entre os nossos beijos
não penso no teu ser,
mas sim no teu olhar.
Percorro a estrada atá à exaustão?
O mundo que construí por mim mesmo
como que reflete o seu agrado
e observo profundamente
os segredos do seu corpo.
O vazio imenso das suas costas
abraça a lembrança da qual irei guardar o brilho
que cavalga desafiante como tu.
Na luta de te conquistar?
De encontro ao homem, o sonho
humano torna-se um carvão
e do rio para o mar, os sentimentos
de almas irreais saem das grutas.

10º F

Exposição "800 letras" com trabalhos dos alunos do curso de Artes Visuais