domingo, 8 de março de 2015

Feliz Dia da Mulher


Um ente de paixão e sacrifício,

De sofrimento cheio, eis a mulher!

Esmaga o coração dentro do peito,

E nem te doas coração, sequer!

 

Sê forte, corajoso, não fraquejes

Na luta: sê em Vénus sempre Marte;

Sempre o mundo é vil e infame e os homens

Se te sentem gemer hão-de pisar-te!

 

Se às vezes tu fraquejas, pobrezinha,

Essa brancura ideal de puro arminho

Eles deixam pra sempre maculada;

 

E gritam então vis: "Olhem, vejam

É aquela a infame!" e apedrejam

a pobrezita, a triste, a desgraçada!

 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Poema do mês de março

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

                  Florbela Espanca

Livro do mês de março: "A Segunda Morte de Anna Karénina"


 Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande ator com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas atrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a veem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espetro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois atores de exceção, nunca se sabe exatamente o que é verdade. A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.


Ana Cristina Silva é docente universitária no ISPA-IU. Doutorada em Psicologia da Educação,
especializou-se na área da aprendizagem da leitura e da escrita, desenvolvendo investigação neste domínio com obra científica publicada em Portugal e no estrangeiro. Publicou até ao momento sete romances, Mariana, todas as Cartas (2002), A Mulher Transparente (2003), Bela (2005), À Meia Luz (2006), As Fogueiras da Inquisição (2008), A Dama Negra da Ilha dos Escravos (2009), Crónica do Rei-Poeta Al- Um’Tamid (2010), Cartas Vermelhas (2011, selecionado como Livro do Ano pelo jornal Expresso e finalista do Prémio Literário Fernando Namora), O Rei de Monte Brasil (2012, finalista do Prémio SPA/RTP) e A Segunda Morte de Anna Karénina (2013).

Palestra "Hábitos e estilos de vida saudáveis e geração saudável: a saúde é treinável"