sexta-feira, 13 de março de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Feliz Dia da Mulher
De sofrimento cheio,
eis a mulher!
Esmaga o coração
dentro do peito,
E nem te doas
coração, sequer!
Sê forte, corajoso,
não fraquejes
Na luta: sê em Vénus
sempre Marte;
Sempre o mundo é vil
e infame e os homens
Se te sentem gemer
hão-de pisar-te!
Se às vezes tu
fraquejas, pobrezinha,
Essa brancura ideal
de puro arminho
Eles deixam pra
sempre maculada;
E gritam então vis:
"Olhem, vejam
É aquela a
infame!" e apedrejam
a pobrezita, a
triste, a desgraçada!
quarta-feira, 4 de março de 2015
Poema do mês de março
Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca
Livro do mês de março: "A Segunda Morte de Anna Karénina"
Violante tinha, desde criança, um
talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande ator
com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas atrizes
portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a veem brilhar e afirmar
o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível
segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia
ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o
jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras
em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser,
mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão
grande ou maior do que o seu. E, com o espetro das recordações que essa
revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique,
desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde
dar. O problema é que, numa conversa entre dois atores de exceção, nunca se
sabe exatamente o que é verdade. A
Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a
traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões
homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na
Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o
teatro e a vida real.
Ana Cristina Silva é docente
universitária no ISPA-IU. Doutorada em Psicologia da Educação,
especializou-se
na área da aprendizagem da leitura e da escrita, desenvolvendo investigação
neste domínio com obra científica publicada em Portugal e no estrangeiro.
Publicou até ao momento sete romances, Mariana,
todas as Cartas (2002), A Mulher
Transparente (2003), Bela (2005),
À Meia Luz (2006), As Fogueiras da Inquisição (2008), A Dama Negra da Ilha dos Escravos
(2009), Crónica do Rei-Poeta Al- Um’Tamid
(2010), Cartas Vermelhas (2011, selecionado
como Livro do Ano pelo jornal Expresso e finalista do Prémio Literário Fernando
Namora), O Rei de Monte Brasil (2012,
finalista do Prémio SPA/RTP) e A Segunda
Morte de Anna Karénina (2013).
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Fernando Pessoa - Carta a Ofélia
Meu
Bebé pequeno e rabino:
Cá
estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes
(pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme
prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é
muito má, excepto numa coisa, que é na arte de fingir, em que vejo que é
mestra.
Sabes?
Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti. Estou pensando nas saudades
que tenho do meu tempo da caça aos pombos; e isto é uma coisa, como tu sabes,
com que tu não tens nada…
Foi
agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem-disposta, e eu estava bem-disposto,
e o dia estava bem disposto também (O meu amigo, não. A. A. Crosse: está de
saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado).
Não
te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A
primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a
pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em
casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi
metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira
razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro).
Quando
nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca
estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo… Meu Bebé para sentar ao
colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para… (e depois o Bebé é mau e
bate-me…) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuarás sendo, mas
longe de mim.
Bebé,
vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua
boquinha contra a boca do Nininho… Vem… Estou tão só, tão só de beijinhos…
Quem
me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer. Ao menos isso era
uma consolação… Mas tu, se calhar, pensas menos em mim que no rapaz do
gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C.! Má, má, má, má,
má…!!!!!
Açoites
é que tu precisas.
Adeus;
vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo para descansar o
espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1º
espírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um
beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e
muito teu
Fernando
(Nininho)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Poema do mês de fevereiro: "O Amor"
O AMOR, quando se
revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
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