terça-feira, 1 de março de 2016

Sugestões de leitura para o mês de março









Livro do mês de março: Trilogia Milenium - Os homens que odeiam as mulheres; A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo; A rainha do palácio das correntes de ar

O segredo da Trilogia Millennium, o maior sucesso de sempre da literatura policial, assenta na mestria com que o autor (Stieg Larsson) nos leva a querer conhecer os meandros mais obscuros da vida contemporânea: a corrupção nos meios económicos e financeiros, os movimentos organizados de extrema-direita, o abuso de poder e a violência contra as mulheres. E não é apenas a história que é viciante; as personagens que lhe dão vida fascinam-nos pela originalidade: a dupla improvável entre Lisbeth Salander, a jovem pirata informática, quase anorética, cheia de piercings e tatuagens e com um sentido de justiça muito próprio, e Michael Blomkvist, uma espécie de justiceiro que usa a escrita como uma arma para atingir o alvo com precisão, deixa-nos rendidos a horas de leitura e prazer.

Os homens que odeiam as mulheres
O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de exceção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo
Lisbeth Salander é assumidamente a personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: há que encontrar os responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um gigante loiro de quem pouco se sabe.

A rainha do palácio das correntes de ar

Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isso não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Os elementos da SAPO continuam as suas movimentações; Mikael Blomkvist tenta de todas as maneiras ilibar Salander; Dragan Armanskij, o inspetor Bublanski e Anita Giannini unem esforços para que se faça justiça; Erika Berger sente-se também ameaçada; e quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

Stieg Larsson (1954-2004) foi jornalista e editor responsável da revista Expo. Foi um dos maiores peritos mundiais no estudo de movimentos antidemocráticos, de extrema-direita e nazis. Morreu subitamente, pouco tempo depois de entregar à sua editora sueca os três volumes da trilogia Millennium. Tragicamente, não viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se transformou.

Poema do mês de março: Lembrança

Lembrança

Fui Essa que nas ruas esmolou

E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...

Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...

Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...

Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

sábado, 6 de fevereiro de 2016

"Os Maias: episódios da vida romântica"



Esta história intemporal caracteriza a sociedade lisboeta do fim do séc. XIX: a política, as corridas de cavalos, as tardes passadas no Grémio Literário, os passeios em Sintra, os aspirantes a chique, etc.
Esta crítica à sociedade é feita através da narrativa da vida de Carlos da Maia, homem abastado e culto. Como a maioria das pessoas da época, acaba por viver uma vida dupla, tendo sido amante de várias senhoras da alta sociedade. Ao seu lado tem o seu melhor amigo, João da Ega, a projeção literária de Eça de Queirós. É uma personagem contraditória: romântico e sentimental, mas também progressista e crítico. O avô Afonso da Maia assiste a tudo, observando e tentando, sem efeito, incutir a sua posição conservadora.
Dâmaso Salcede representa tudo o que a sociedade tinha de pior. Mesquinho e convencido, tem uma única preocupação na vida: ser "chique a valer".
Os Condes de Gouvarinho, espelhos da falsidade da sociedade, representam a incompetência do poder político.

Eça de Queirós descreve esta sociedade de costumes e acaba a história com o romance entre Carlos da Maia e Maria Eduarda, dois jovens que ao longo da trama descobrem algo que mudará as suas vidas para sempre. Um final trágico, mas óbvio e que somente Eça poderia dar nesta obra.

Concurso Nacional de Leitura: entrega de certificados de participação









Poema do mês de fevereiro

O homem e seu Carnaval


Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.


Carlos Drummond de Andrade

Livro do mês: "Triplo" de Ken Follett

No ano de 1968, Israel esteve por detrás do desaparecimento de 200 toneladas de urânio, material destinado a dotar o Egito da bomba atómica com a ajuda da União Soviética. Contudo nunca se conseguiu determinar como é que um carregamento daquele minério, suficiente para produzir 30 armas nucleares, desapareceu no mar alto sem deixar provas que comprometessem Israel. Follett pegou nesta enigmática ocorrência e criou a partir dela um thriller único, onde um suspense de alta voltagem se combina com factos históricos.
Triplo é a fascinante história de um espantoso golpe de espionagem e um dos mais bem guardados segredos do século passado. New York Times Bestseller.






Ken Follett nasceu a 5 de Junho de 1949, em Cardiff, no País de Gales, e licenciou-se em Filosofia no
University College, em Londres. Começou a sua carreira como jornalista no South Wales Echo e, mais tarde, no London Evening News. Trocou a profissão de jornalista pela de editor e continuou a escrever no tempo livre. A sua primeira obra foi publicada em 1978 sob o título Eye of the Needle, um thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme. Vive em Londres com a mulher, a deputada Barbara Follett, e os seus dois Labrador retrievers. Tem estado associado a diversas associações para a promoção da literacia e da leitura; é membro da Welsh Academy e Fellow da Royal Society of Arts. Follett é um grande apreciador de Shakespeare e um músico amador.

Sugestões de leitura





Boas leituras...

Eu sou o outro

Abílio Rocha, empregado de balcão de um conhecido café de Lisboa, próximo de Pessoa, conduz-nos num périplo pelos mundo de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cruzando a obra de Pessoa ortónimo e heterónimos com a sua própria vida.
Uma vida plena dos sonhos e ilusões próprios de quem tem as suas raízes num Portugal profundo e conviveu, de perto, com um dos poetas mais consagrados da nossa língua. Uma vida que ecoa nas cordas do seu bandolim, fazendo vibrar o próprio eixo da nossa herança, da nossa identidade.


Boletim de novidades: fevereiro