quinta-feira, 17 de março de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
Livro do mês de março: Trilogia Milenium - Os homens que odeiam as mulheres; A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo; A rainha do palácio das correntes de ar
O segredo da Trilogia Millennium, o maior sucesso de sempre da literatura
policial, assenta na mestria com que o autor (Stieg Larsson) nos leva a querer
conhecer os meandros mais obscuros da vida contemporânea: a corrupção nos meios
económicos e financeiros, os movimentos organizados de extrema-direita, o abuso
de poder e a violência contra as mulheres. E não é apenas a história que é
viciante; as personagens que lhe dão vida fascinam-nos pela originalidade: a
dupla improvável entre Lisbeth Salander, a jovem pirata informática, quase
anorética, cheia de piercings e tatuagens e com um sentido de justiça muito
próprio, e Michael Blomkvist, uma espécie de justiceiro que usa a escrita como
uma arma para atingir o alvo com precisão, deixa-nos rendidos a horas de leitura
e prazer.
Os homens que odeiam as mulheres
O jornalista de economia Mikael
Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao
financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide
afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar.
Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer
que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a
história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist:
descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar
rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer.
Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth
Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma
hacker de exceção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no
passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e
sangrenta do que jamais poderiam imaginar.
A rapariga que sonhava com uma lata
de gasolina e um fósforo
Lisbeth Salander é assumidamente a
personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois
homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a
solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: há que encontrar os
responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir
por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um
gigante loiro de quem pouco se sabe.
A rainha do palácio das correntes de
ar
Lisbeth Salander sobreviveu aos
ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de
saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital,
impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela
levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se
isso não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a
odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos
menos graves e intenções mais maquiavélicas… Os elementos da SAPO continuam as
suas movimentações; Mikael Blomkvist tenta de todas as maneiras ilibar Salander;
Dragan Armanskij, o inspetor Bublanski e Anita Giannini unem esforços para que
se faça justiça; Erika Berger sente-se também ameaçada; e quem é Rosa
Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?
Stieg Larsson (1954-2004) foi
jornalista e editor responsável da revista Expo.
Foi um dos maiores peritos mundiais no estudo de movimentos antidemocráticos,
de extrema-direita e nazis. Morreu subitamente, pouco tempo depois de entregar
à sua editora sueca os três volumes da trilogia Millennium. Tragicamente, não
viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se transformou.
Poema do mês de março: Lembrança
Lembrança
Fui Essa que nas ruas esmolou
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas
poisou...
Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não
voltou...
Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde
Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu
fui,
As que me lembro de ter sido...
dantes!...
Florbela Espanca, in "Charneca
em Flor"
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
"Os Maias: episódios da vida romântica"
Esta
história intemporal caracteriza a sociedade lisboeta do fim do séc. XIX: a
política, as corridas de cavalos, as tardes passadas no Grémio Literário, os
passeios em Sintra, os aspirantes a chique, etc.
Esta
crítica à sociedade é feita através da narrativa da vida de Carlos da Maia,
homem abastado e culto. Como a maioria das pessoas da época, acaba por viver
uma vida dupla, tendo sido amante de várias senhoras da alta sociedade. Ao seu
lado tem o seu melhor amigo, João da Ega, a projeção literária de Eça de Queirós.
É uma personagem contraditória: romântico e sentimental, mas também
progressista e crítico. O avô Afonso da Maia assiste a tudo, observando e
tentando, sem efeito, incutir a sua posição conservadora.
Dâmaso
Salcede representa tudo o que a sociedade tinha de pior. Mesquinho e
convencido, tem uma única preocupação na vida: ser "chique a valer".
Os
Condes de Gouvarinho, espelhos da falsidade da sociedade, representam a incompetência
do poder político.
Eça
de Queirós descreve esta sociedade de costumes e acaba a história com o romance
entre Carlos da Maia e Maria Eduarda, dois jovens que ao longo da trama
descobrem algo que mudará as suas vidas para sempre. Um final trágico, mas
óbvio e que somente Eça poderia dar nesta obra.
Poema do mês de fevereiro
O homem e seu Carnaval
Deus
me abandonou
no
meio da orgia
entre
uma baiana e uma egípcia.
Estou
perdido.
Sem
olhos, sem boca
sem
dimensões.
As
fitas, as cores, os barulhos
passam
por mim de raspão.
Pobre
poesia.
O
pandeiro bate
é
dentro do peito
mas
ninguém percebe.
Estou
lívido, gago.
Eternas
namoradas
riem
para mim
demonstrando
os corpos,
os
dentes.
Impossível
perdoá-las,
sequer
esquecê-las.
Deus
me abandonou
no
meio do rio.
Estou
me afogando
peixes
sulfúreos
ondas
de éter
curvas
curvas curvas
bandeiras
de préstitos
pneus
silenciosos
grandes
abraços largos espaços
eternamente.
Carlos Drummond de Andrade
Livro do mês: "Triplo" de Ken Follett
No ano de 1968, Israel esteve por detrás do desaparecimento
de 200 toneladas de urânio, material destinado a dotar o Egito da bomba atómica
com a ajuda da União Soviética. Contudo nunca se conseguiu determinar como é
que um carregamento daquele minério, suficiente para produzir 30 armas
nucleares, desapareceu no mar alto sem deixar provas que comprometessem Israel.
Follett pegou nesta enigmática ocorrência e criou a partir dela um thriller
único, onde um suspense de alta voltagem se combina com factos históricos.
Triplo é a fascinante
história de um espantoso golpe de espionagem e um dos mais bem guardados
segredos do século passado. New York Times Bestseller.
Ken Follett nasceu a 5 de Junho de 1949, em Cardiff, no País
de Gales, e licenciou-se em Filosofia no
University College, em Londres.
Começou a sua carreira como jornalista no South Wales Echo e, mais tarde, no
London Evening News. Trocou a profissão de jornalista pela de editor e
continuou a escrever no tempo livre. A sua primeira obra foi publicada em 1978
sob o título Eye of the Needle, um
thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme. Vive em Londres com
a mulher, a deputada Barbara Follett, e os seus dois Labrador retrievers. Tem
estado associado a diversas associações para a promoção da literacia e da
leitura; é membro da Welsh Academy e Fellow da Royal Society of Arts. Follett é
um grande apreciador de Shakespeare e um músico amador.Eu sou o outro
Abílio Rocha, empregado de balcão de um conhecido café de Lisboa, próximo de Pessoa, conduz-nos num périplo pelos mundo de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cruzando a obra de Pessoa ortónimo e heterónimos com a sua própria vida.
Uma vida plena dos sonhos e ilusões próprios de quem tem as suas raízes num Portugal profundo e conviveu, de perto, com um dos poetas mais consagrados da nossa língua. Uma vida que ecoa nas cordas do seu bandolim, fazendo vibrar o próprio eixo da nossa herança, da nossa identidade.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
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