domingo, 29 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
Poema do mês de abril: Crucificada
Amiga...
noiva... irmã... o que quiseres!
Por
ti, todos os céus terão estrelas,
Por
teu amor, mendiga, hei de merecê-las,
Ao
beijar a esmola que me deres.
Podes
amar até outras mulheres!
- Hei
de compor, sonhar palavras belas,
Lindos
versos de dor só para elas,
Para
em lânguidas noites lhes dizeres!
Crucificada
em mim, sobre os meus braços,
Hei
de poisar a boca nos teus passos
Pra
não serem pisados por ninguém.
E
depois... Ah! depois de dores tamanhas,
Nascerás
outra vez de outras entranhas,
Nascerás
outra vez de uma outra Mãe!
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
Livro do mês de abril: O Fiel Jardineiro, de John le Carré
O
livro conta a história de Justin Quayle, um diplomata inglês e jardineiro
amador nas horas vagas. Justin e sua mulher, Tessa, vivem na África. Durante
uma missão misteriosa, a jovem inglesa é assassinada brutalmente perto do Lago
Trukuna, no norte do Quénia. O seu companheiro de viagem, um médico que
trabalha em ONGs internacionais, desaparece da cena do crime sem deixar
vestígios. Justin parte numa odisséia pessoal à procura dos responsáveis pelo
assassinato e da verdadeira história de sua própria esposa. O Fiel Jardineiro não é apenas a
história de como a ambição e a ganância de certos homens dominam o mundo. É
também uma história de amor: enquanto observamos Justin Quayle assumindo para
si a causa que era de sua mulher, percebemos que a esperança sempre existirá e
que o amor, realmente, remove montanhas.
John
le Carré nasceu em 1931. Estudou em Berna e Oxford, foi professor em Eton e
esteve durante cinco anos ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo
primeiro secretário da Embaixada Britânica em Bona e, posteriormente, cônsul
político em Hamburgo. Começou a sua carreira literária em 1961, tendo-se
tornado um escritor mundialmente reconhecido com o livro O Espião Que Saiu do Frio, o seu terceiro. A consagração de le
Carré deu-se com o excelente acolhimento que teve a célebre trilogia de Smiley: Tinker Tailor Soldier Spy, The
Honourable Schoolboy e A Gente de
Smiley. Entre os seus romances mais recentes, todos eles assinaláveis
êxitos de vendas e de crítica, contam-se O
Alfaiate do Panamá, Single &
Single, O Fiel Jardineiro, Amigos até ao Fim, O Canto da Missão e Um Homem
Muito Procurado.
quarta-feira, 21 de março de 2018
Dia da Poesia
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
segunda-feira, 12 de março de 2018
Poema do mês de março "O mar dos meus olhos"
Há mulheres que trazem
o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da
alma
E trazem a poesia nos
dedos e nos sorrisos
Ficam para além do
tempo
Como se a maré nunca
as levasse
Da praia onde foram
felizes
Há mulheres que trazem
o mar nos olhos
pela grandeza da
imensidão da alma
pelo infinito modo
como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são
maré em noites de tardes...
e calma
Sophia de Mello
Breyner Andresen
Livro do mês de março: "Jardim de mulheres", de Aminatta Forna
Tudo começou com uma
carta...
Abie Kholifa herda uma
plantação de café da família, num país africano. Movida pelas palavras de Alpha
Kholifa, seu primo, Abie regressa, iniciando uma viagem de reencontro com o
passado.
Através das histórias
contadas pelas suas quatro tias - Asana, Mary, Hawa e Serah -, ela descobre uma
África atraída pelas tentações do Ocidente, mas desesperada por se manter fiel
às suas tradições. Submersas em verdades silenciadas, mentiras sussurradas e
contos mágicos, estas mulheres fortes - as verdadeiras protagonistas de Jardim
de Mulheres - tentam alterar o correr tranquilo dos seus destinos e reivindicar
as suas próprias identidades.
Percorrendo
sensibilidades e gerações, Jardim de
Mulheres é um romance espantoso sobre uma nação, uma família e as mulheres
cujas histórias oferecem uma emotiva verdade que jamais entrará para as
narrativas oficiais da História.
Aminatta Forna iniciou
a sua carreira como repórter televisiva, tendo apresentado e produzido inúmeros
programas para a BBC, no âmbito das artes e da política.
Apresentou, também,
vários programas na rádio e, atualmente, colabora com diversos jornais, como
The Independent, The Observer, Sunday Times e Evening Standard, além de
integrar frequentemente o painel do júri em prémios literários.
Aminatta Forna divide
o seu tempo entre Londres e a Serra Leoa, onde dinamiza o projeto Rogbonko
Village School Trust.
quinta-feira, 8 de março de 2018
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Poema do mês de fevereiro
Saberás que não te
amo e que te amo
posto que de dois
modos é a vida,
a palavra é uma asa
do silêncio,
o fogo tem uma
metade de frio.
Eu te amo para
começar a amar-te,
para recomeçar o
infinito
e para não deixar de
amar-te nunca:
por isso não te amo
ainda.
Te amo e não te amo
como se tivesse
em minhas mãos as
chaves da fortuna
e um incerto destino
desafortunado.
Meu amor tem duas
vidas para amar-te.
Por isso te amo quando
não te amo
e por isso te amo
quando te amo.
Pablo Neruda
Livro do mês de fevereiro: "No canto mais escuro", de Elizabeth Haynes
No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a história arrepiante de Catherine
Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa
relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua
própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio,
Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando
Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer
o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma
mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo
constante. Um romance de estreia que arrebatou público e crítica e recebeu os
prémios Amazon Best Book of the Year 2011 e Amazon Rising Stars 2011.
Elizabeth Haynes é analista dos
serviços secretos da polícia britânica. No Canto mais Escuro, que marca a sua
brilhante estreia na ficção, foi traduzido em 27 línguas e editado em países
como o Brasil, China, Japão, Alemanha ou Estados Unidos, e deixa antever uma
promissora carreira literária. Haynes vive em Kent com o marido e o filho.
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