segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Poema do mês de fevereiro: Criação


Criação


Há no amor um momento de grandeza,
que é de inconsciência e de êxtase bendito:
os dois corpos são toda a Natureza,
as duas almas são todo o Infinito.

Um mistério de força e de surpresa!
Estala o coração da terra, aflito;
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,
e de todos os astros rompe um grito.

Deus transmite o seu hálito aos amantes;
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,
e a Génese fulgura em cada abraço;

porque, entre as duas bocas soluçantes,
rola todo o Universo, em harmonias
e em glorificações, enchendo o espaço!

Olavo Bilac

Livro do mês de fevereiro: A Matemática do Amor, de Emma Darwin


Estamos em 1819 e Stephen Fairhurst, um veterano de Waterloo, deseja apenas ficar em paz.
Em Kersey Hall, a casa à qual regressou após um longo exílio em Espanha, espera esquecer os horrores da guerra e recordar somente o grande e secreto amor que perdeu.
A sua crescente amizade com a progressista Lucy Durward, cimentada através da troca regular de correspondência, vai despertar os fantasmas do passado e mudar o curso da sua vida.
No verão quente de 1976 a adolescente Anna está pronta para se divertir.
Em vez disso é enviada para o que parece ser o pior local do mundo para passar as férias de verão: uma falida escola rural gerida pelo seu tio distante. E assim, aborrecida e sozinha, envolve-se na vida de dois homens: Theo, um fotógrafo de guerra exilado, e o homem a quem a casa pertencera cento e cinquenta anos antes, Stephen Fairhurst.
Nenhuma das gerações pode, contudo, sonhar com uma paz duradoura. O passado transporta demasiados segredos para ser esquecido e o futuro carrega o amor e a dor dos afetos.

Emma Darwin nasceu em 1964 e cresceu em Londres, Manhattan e Bruxelas. É neta do famoso investigador Charles Darwin.
A Matemática do Amor é o seu primeiro romance.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Livro do mês de janeiro: "Inverno em Madrid", de C. J. Sansom


1940. Madrid encontra-se em ruínas, a fome e a miséria imperam, e uma turba de espiões das grandes potências mundiais invade a cidade, enquanto Franco pondera juntar-se a Hitler na Segunda Guerra Mundial.
É nesse mundo de incertezas que desembarca Harry Brett, um ex-soldado recrutado pelos serviços secretos britânicos. A sua missão é descobrir se os negócios obscuros de um antigo companheiro de escola, Sandy Forsyth, envolvem uma reserva de ouro que fortalecerá o governo de Franco. Entretanto, Barbara Clare, antiga enfermeira da Cruz Vermelha e namorada de Sandy, também se propõe a uma missão secreta: encontrar o ex-amante, Bernier Piper, amigo de Harry e comunista voluntário das Brigadas Internacionais desaparecido nos campos sangrentos da Batalha do Jarama.
Quatro vidas cruzadas num jogo perigoso de amor e morte, os segredos e subterfúgios da Espanha de Franco, um romance que nos fala sobre a dificuldade de fazer escolhas num mundo marcado pela guerra.

C. J Sansom nasceu em 1952 e licenciou-se na Universidade de Birmingham, onde fez também um doutoramento em História. Exerceu advocacia durante algum tempo, até que decidiu dedicar-se à escrita a tempo inteiro.
Com a série Shardlake conheceu um retumbante sucesso internacional, estando já publicados em Portugal os volumes Dissolução, Fogo Negro, Soberano e Revelação (Porto Editora, 2010).
Inverno em Madrid, também publicado pela Porto Editora, é um thriller de espionagem escrito fora da série Shardlake.

Poema do mês de janeiro: Ano Novo, de Fernando Pessoa


Ano Novo

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Livro do mês de dezembro: Desejos de Chocolate, de Trisha Ashley


Na perfeita aldeia de Sticklepond, Lancashire, Chloe faz e vende chocolates deliciosos e inspiradores, que contêm uma previsão ou uma frase encorajadora para cada cliente. Se a sua vida fosse tão fácil de prever, talvez Chloe pudesse ter visto que iria ser abandonada junto ao altar... Mas quando um novo vigário chega à aldeia, os rumores aumentam de intensidade. Para além de ser o carismático ex-líder da banda rock Mortal Ruin, Raffy Sinclair é também o primeiro amor de Chloe e o homem que lhe destroçou o coração. Por mais que tente, Chloe não consegue ignorar aquela aparição do seu passado. Poderá ter chegado agora o momento de pedir um desejo e atrever-se a acreditar que este se pode transformar em realidade? Uma heroína simpática que faz chocolates, um irmão adolescente (e gótico), um avô escritor que é também feiticeiro, uma tia cigana que lê cartas de tarô e folhas de chá, um herói invulgar (e lindo!) e uma aldeia cheia de personagens excêntricas e adoráveis são os ingredientes deste encantador romance de Trisha Ashley.


Trisha Ashley nasceu em St. Helens, Lancashire, e agora vive no Norte do País de Gales. O seu romance A Winter's Tale foi candidato ao Melissa Nathan Award na categoria de Romance-Comédia, em 2009. Teve vários empregos a tempo parcial ao longo dos anos, mas a sua ocupação atual como funcionária sazonal do National Trust combina perfeitamente três dos seus maiores interesses: casas históricas, jardins e conhecer pessoas. Embora Trisha adore chocolate, não se considera «chocoólica» - pode desistir quando quiser, a sério!

Poema do mês de dezembro - Natal, e não Dezembro


Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'

Feira do Livro
















sábado, 3 de novembro de 2018

Feira do Livro


Livro do mês de novembro: "Casa de espiões", Daniel Silva


Quatro meses após o maior ataque que aconteceu em solo americano, desde o 11 de Setembro, os terroristas deixam uma esteira de morte no West End de Londres.
O atentado é um feito de planificação e levado a cabo em perfeito segredo. Mas tem uma única falha.
Essa ponta solta levará Gabriel Allon ao sul de França, decidido a apanhar o terrorista mais perigoso do mundo, o escorregadio cérebro do ISIS conhecido como Saladino.





Daniel Silva foi jornalista e trabalhou para a UPI, primeiro em Washington e depois no Cairo, como correspondente para o Médio Oriente. Nesse período cobriu diversos conflitos políticos e a guerra Irão-Iraque. Conheceu a sua mulher, correspondente da NBC, e regressaram aos Estados Unidos, onde Daniel Silva foi produtor da CNN durante vários anos, tendo sido responsável por alguns programas muito populares, como Crossfire, The International Hour e The World Yoday, entre outros. Em 1997, logo após o êxito do seu primeiro livro, The Unlikely Spy, Daniel Silva resolveu dedicar-se por completo à escrita, tendo entretanto publicado diversos best-sellers mundiais.
O Washington Post coloca-o «entre os melhores jovens autores norte-americanos de literatura de espionagem» e é com frequência comparado a Graham Greene e a John Le Carré. Vive em Washington D. C., com a mulher e dois filhos.

Poema do mês de novembro


O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas…
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Poema do mês de outubro: "Outono", de Miguel Torga


Outono


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga

Livro do mês de outubro: "Sete janelas com vista para a morte", de Miguel Miranda


Edviges Stout é uma mulher frágil e doente, que dirige com mão de ferro o Grupo Azygus, uma instituição financeira cujos lucros se destinam a filantropia - o que pode ser uma fachada para negócios obscuros. Suspeita que alguém a quer matar e, para o impedir, contrata o detetive Mário França, o maior detetive do mundo, com escritório no Porto, no Muro dos Bacalhoeiros.
Vencedor do Prémio Caminho de Literatura Policial, finalista do Prémio Violeta Negra do Festival de Literatura Policial de Toulouse, Sete Janelas Com Vista Para a Morte é o maior desafio da carreira do detetive Mário França.





Miguel Miranda percorre vários géneros literários, entre o conto, o policial e o romance. Obteve vários prémios literários, como o Grande Prémio do conto APE, o Prémio Caminho de Literatura Policial, e o Prémio Fialho de Almeida, em duas edições. Foi finalista do Prémio PEN de Narrativa e do Prémio Violeta Negra do Festival de Literatura Policial de Toulouse. Está traduzido e editado em Itália e sobretudo em França, onde tem tido destaque.
Sete Janelas com Vista para a Morte é o seu segundo livro na Marcador Editora, seguindo-se a Demasiado Mar para Tantas Dúvidas.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Poema do mês de setembro: Aproveita o dia, de Walt Whitman


Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…

Walt Whitman

Livro do mês de setembro: Boneca de trapos, de Daniel Cole


O teu nome está na lista. Conseguirás salvar-te?
William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. Encontra-se com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime e tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar.

Aos 33 anos, Daniel Cole já trabalhou como paramédico, foi oficial da Real Sociedade Protetora dos Animais e membro da Guarda Costeira Real, sempre imbuído do desejo de salvar pessoas — ou talvez movido pela culpa de ter matado tantas personagens nos seus textos. Boneca de Trapos, o seu primeiro romance, escrito originalmente como piloto para uma série de TV, é um bestseller internacional e, logo nos primeiros dias após o lançamento no Reino Unido, Itália, Alemanha, França e Holanda, alcançou as principais listas de mais vendidos. Será publicado em 32 países e foi também finalista do prémio CWA John Creasy Award para primeiro romance, o prémio britânico mais prestigiado para thrillers.