sábado, 7 de março de 2020
quarta-feira, 4 de março de 2020
Poema do mês de março - "Eu", de Florbela Espanca
Até
agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
Mas que eu não era eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, não o dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
E, mesmo que o soubesse, não o dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
Andava a
procurar-me - pobre louca! -
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!
E esta
ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!
Florbela Espanca
Livro do mês de março - "A dama negra da Ilha dos Escravos", de Ana Cristina Silva
A personagem central deste romance, D. Simoa Godinho, é uma das figuras
históricas mais intrigantes e misteriosas da Lisboa do século XVI. Tendo
nascido em S. Tomé, no seio de uma família rica de fazendeiros, acabaria mais
tarde, já casada com o fidalgo Luís de Almeida, por vir viver para a capital do
reino, onde viria a expressar o seu carácter profundamente humano através de
inúmeras obras de solidariedade, nomeadamente junto da Misericórdia. Ficamos a
conhecer toda a sua vida - a infância e juventude no exotismo de S. Tomé, a
paixão por Luís de Almeida, a sua influência na sociedade lisboeta da época
neste romance soberbo que tão bem soube captar as múltiplas nuances desta
personalidade que tem apaixonado sucessivas gerações de historiadores.
Ana
Cristina Conceição da Silva nasceu em Vila Franca de Xira, em 1964. É docente e
escritora. Doutorada em Psicologia Educacional pela Universidade do Minho,
especializou-se na área da aprendizagem da leitura e escrita, desenvolvendo
investigação no domínio das aquisições precoces da linguagem escrita,
ortografia e produção textual. Tem obra científica publicada em Portugal e no
estrangeiro. Para além disso, tem-se dedicado à criação literária. Tem artigos
científicos publicados em revistas e obras coletivas portuguesas e
estrangeiras. Em 2002, faz a sua primeira viagem pela literatura com “Mariana,
todas as cartas”, tendo dado continuidade a esta viagem de forma profícua e
avassaladora: “A mulher transparente” (2003), “Bela” (2005), “À meia-luz”
(2006), “As fogueiras da inquisição” (2008), “A dama negra da ilha dos
escravos” (2009), “Crónica do Rei-Poeta Al-Um’Tamid” (2010), “Cartas vermelhas”
(2011 – selecionado livro do ano pelo jornal Expresso e finalista do Prémio
Literário Fernando Namora), “O rei do Monte Brasil” (2012 - finalista do Prémio
SPA/RTP e do Prémio Literário Fernando Namora, e vencedor do prémio Urbano
Tavares Rodrigues), “A segunda morte de Anna Karénina” (2013 - finalista do
Prémio Literário Fernando Namora), “A noite não é eterna” (2016 - venceu o
Prémio Fernando Namora), “Salvação” (2018), “As longas noites de Caxias” (2019)
e “Rimbaud, o Viajante e o Seu Inferno” (2020).
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Poema do mês de fevereiro: Amar é...
Amar é...
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,
é o ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!
Albert Camus
Livro do mês de fevereiro: "O poder do amor", de Mary Balogh
Não há nada que a alta-sociedade mais aprecie do que um bom escândalo, e, ao morrer, Humphrey Wescott, conde de Riverdale, proporciona-lhe isso mesmo. É que Wescott não só tinha uma filha secreta como também casou em segredo quando era jovem… o que torna ilegítima a sua atual família.
Anna Snow passou praticamente a vida inteira num orfanato. Desconhece por completo o conceito de lar. É com grande espanto que descobre que não só tem uma família, como o pai era o recém-falecido conde de Riverdale. Mas esta transição de órfã a herdeira não vai ser nada fácil… O duque de Netherby, porém, sente-se estranhamente impelido a ajudar esta jovem desamparada. É temido por todos, mas só ele sabe o que passou para alcançar o seu estatuto atual. Terá ele coragem, à medida que os sentimentos entre ambos se vão intensificando, de a deixar ver quem se encontra por detrás da máscara do duque? E conseguirá Anna adaptar-se à nova condição sem perder os seus princípios?
Autora premiada e presença constante nas listas de bestsellers do New York Times, Mary Balogh cresceu em Gales, terra de mar e montanhas, músicas e lendas. Ela levou consigo a música e uma imaginação vívida quando se mudou para o Canadá. Aí desenvolveu uma segunda carreira como autora de livros com finais felizes e que celebram o poder do amor. Os seus romances históricos venderam já mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Poema do mês de janeiro: O ano passado
O ano passado não passou,
continua incessantemente.
Em vão marco novos encontros.
Todos são encontros passados.
As ruas, sempre do ano passado,
e as pessoas, também as mesmas,
com iguais gestos e falas.
O céu tem exatamente
sabidos tons de amanhecer,
de sol pleno, de descambar
como no repetidíssimo ano passado.
Embora sepultos, os mortos do ano passado
sepultam-se todos os dias.
Escuto os medos, conto as libélulas,
mastigo o pão do ano passado.
E será sempre assim daqui por diante.
Não consigo evacuar
o ano passado.
Carlos Drummond de Andrade
Livro do mês de janeiro: "O nosso reino", de Valter Hugo Mãe
Delicadíssima história de uma criança em torno da
ansiedade por uma resposta de Deus. Retrato de um Portugal recôndito ao tempo
da Revolução dos Cravos que nos conta como em lugares pequenos as ideias
maiores são relativamente intemporais e o que acontece ignora largamente o
tempo exato do mundo.
O belo livro de estreia de Valter Hugo Mãe é uma
fulgurante prova de imaginação e beleza. Entre a profunda ternura e a difícil
aprendizagem da vida, cada dia é um esforço para que se prove a existência do
milagre de se ser alguém.
Valter Hugo Mãe é um
dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está
traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em
países como o Brasil, a Alemanha, a Espanha, a França ou a Croácia. Publicou
sete romances: Homens
imprudentemente poéticos; A
desumanização; O filho de
mil homens; a máquina de
fazer espanhóis (Grande
Prémio Portugal Telecom Melhor Livro do Ano e Prémio Portugal Telecom Melhor
Romance do Ano); o apocalipse
dos trabalhadores; o remorso de
baltazar serapião (Prémio Literário José Saramago) e o nosso reino. Escreveu alguns livros para todas as
idades, entre os quais: Contos de
cães e maus lobos, O paraíso são
os outros e As mais belas coisas do mundo. A sua poesia encontra-se
reunida no volume publicação
da mortalidade. Publica a crónica Autobiografia Imaginária no Jornal de
Letras e coordena também a
coleção de poesia elogio da
sombra.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Poema do mês de dezembro - Natal, de Miguel Torga
Foi tudo tão pontual
Que fiquei maravilhado.
Caiu neve no telhado
E juntou-se o mesmo gado
No curral.
Nem as palhas da pobreza
Faltaram na manjedoira!
Palhas babadas da toira
Que ruminava a grandeza
Do milagre pressentido.
Os bichos e a natureza
No palco já conhecido.
Mas, afinal, o cenário
Não bastou.
Fiado no calendário,
O homem nem perguntou
Se Deus era necessário...
E Deus não representou.
Miguel Torga, in 'Diários'
Que fiquei maravilhado.
Caiu neve no telhado
E juntou-se o mesmo gado
No curral.
Nem as palhas da pobreza
Faltaram na manjedoira!
Palhas babadas da toira
Que ruminava a grandeza
Do milagre pressentido.
Os bichos e a natureza
No palco já conhecido.
Mas, afinal, o cenário
Não bastou.
Fiado no calendário,
O homem nem perguntou
Se Deus era necessário...
E Deus não representou.
Miguel Torga, in 'Diários'
Livro do mês de dezembro:"Casamento em dezembro", de Anita Shreve
Numa estalagem, no Massachusetts, sete antigos colegas
de escola reúnem-se para um casamento. Nora, a dona da estalagem, teve de
reinventar recentemente a sua vida após a morte do marido. Avery, que ainda
consegue ouvir os ecos de um terrível acontecimento passado vinte e seis anos
antes, estabeleceu-se em Toronto com a mulher e os dois filhos. Agnes, que é atualmente
professora de História, permanece solteira e anseia contar um segredo que
chocaria toda a gente. Bridget, mãe de um rapaz de quinze anos, concordou,
apesar da incerteza quanto à sua saúde e futuro, em casar-se com Bill, um
antigo namorado do liceu que reencontrou recentemente. Na verdade, é Bill que
deseja ardentemente que este casamento se realize e que reúne toda a gente para
um surpreendente fim-de-semana de revelações e recriminações, perdão e redenção;
um reencontro que mudará as suas vidas para sempre.
Casamento em dezembro é o mais
comovente e ambicioso romance de Anita Shreve. Uma incursão na motivação e
anseios humanos, escrita com a elegância e a perícia que fazem da autora
"uma das melhores romancistas do nosso tempo", nas palavras do Boston
Herald.
Natural do Massachusetts, onde ainda hoje reside, Anita
Shreve formou-se na Tufts University, foi professora e acabou por enveredar
pelo jornalismo após uma das suas histórias ter ganho o O. Henry Prize, em
1975, escrevendo então artigos para revistas como a Quest, Us e Newsweek.
Mais tarde, publicou dois livros de não ficção a partir de artigos publicados
na The New York Times Magazine. Em 1989, abandonou o jornalismo e dedicou-se
apenas à literatura, alcançando um grande sucesso internacional - as suas obras
venderam já mais de 7 milhões de exemplares em todo o mundo. Em 1998, recebeu o
PEN/L.L. Winship Award e o The New England Book Award para ficção.
No catálogo da Porto Editora figuram os romances Testemunho (2010) e A Ilha dos Desencontros (2011).
terça-feira, 12 de novembro de 2019
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Poema do mês de novembro: Procuro-te
Procuro a
ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia
da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te:
fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e
um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e
dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu
procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
Livro do mês de novembro: "Vertigem assassina", de Nelson DeMille
Depois de um embate com um famigerado terrorista conhecido como O
Leopardo, John Corey saiu da Unidade Antiterrorista e regressou a casa, na
cidade de Nova Iorque. Arranjou emprego no Grupo de Vigilância Diplomática
(DSG). Embora se pense que a nova tarefa de Corey no DSG - vigiar diplomatas
russos que trabalham na missão na ONU - é um «trabalho calmo», ele não se
importou nada de se livrar das garras do FBI, libertando-se da burocracia da
vida de escritório. Corey apercebe-se, contudo, de algo que o Governo dos
Estados Unidos deixou escapar: a ameaça bem real de uma Rússia que está a ressurgir.
Clarividente e arrepiante, o novo romance de DeMille leva-nos ao
coração de uma nova Guerra Fria, com uma conspiração que tem Manhattan na mira
e obriga a um verdadeiro contrarrelógio.
DeMille
nasceu na Jamaica
(Queens) e reside
atualmente em Garden City (Nova York),
uma localidade em Long Island. Frequentou
a Elmont Memorial High
School em Elmont (Nova Iorque), e formou-se na Universidade de Hofstra.
DeMille
serviu no Exército
dos Estados Unidos como primeiro-tenente,
estando em ação na Guerra
do Vietnam.
Nelson DeMille
construiu uma carreira literária marcada por enormes sucessos mundiais. Sete
dos seus livros chegaram ao primeiro lugar do New York Times e da Publishers
Weekly, tendo totalizado, em conjunto, 380 semanas na lista dos mais
vendidos. É um dos três escritores que mais vendem em todo o Mundo, superando
os 100 milhares de exemplares. Os seus romances têm sido amplamente aclamados
pelo público e pela crítica.
Na Marcador, publicou os livros A Ilha do Medo, O Jogo do Leão, Quando a Noite Cai, Fogo Mortal, O Leão, O Jogo do Leopardo, Força Divina e Vertigem Assassina.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































