sábado, 26 de maio de 2012

Poema do mês de maio


Maio, Maduro Maio

Maio maduro Maio, quem te pintou? 
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.
 
Raiava o sol já no Sul.
 
E uma falua vinha lá de Istambul.

Sempre depois da sesta chamando as flores. 
Era o dia da festa Maio de amores.
 
Era o dia de cantar.
 
E uma falua andava ao longe a varar.

Maio com meu amigo quem dera já. 
Sempre no mês do trigo se cantará.
 
Qu'importa a fúria do mar.
 
Que a voz não te esmoreça vamos lutar.

Numa rua comprida El-rei pastor. 
Vende o soro da vida que mata a dor.
 
Anda ver, Maio nasceu.
 
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.
José Afonso

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