quinta-feira, 28 de março de 2013

Poema do mês de março


Jura

Pelas rugas da fronte que medita... 
Pelo olhar que interroga — e não vê nada... 
Pela miséria e pela mão gelada 
Que apaga a estrela que nossa alma fita... 

Pelo estertor da chama que crepita 
No último arranco d'uma luz minguada... 
Pelo grito feroz da abandonada 
Que um momento de amante fez maldita... 

Por quanto há de fatal, que quanto há misto 
De sombra e de pavor sob uma lousa... 
Oh pomba meiga, pomba de esperança! 

Eu t'o juro, menina, tenho visto 
Cousas terríveis — mas jamais vi cousa 
Mais feroz do que um riso de criança! 

  
Antero de Quental

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